quinta-feira, 26 de maio de 2011

Na clínica de cirurgia plástica

Essa história é baseada em fatos reais.
 
O meu colesterol está um tanto alterado e por isso resolvi ir no endocrinologista como uma forma de adiar o início da minha alimentação saudável e atividades físicas. Para isso, pedi indicações para minhas colegas da faculdade e uma santa alma indicou um médico. Liguei lá, toda feliz, marquei a consulta e ontem finalmente chegou o dia.
Cheguei lá metade empolgada e metade triste pelo fato de ter que iniciar uma vida saudável. Falei com a recepcionista e ela pediu pra aguardar, sentei lá e comecei a ficar apavorada com a quantidade de mulheres operadas. E pior: elas estavam conversando sobre como é importante uma mulher ficar com a barriga retinha e o peito durinho para seu marido. Eu ri baixinho e falei pra mim mesma: que absurdo. A menina que estava do meu lado riu também e perguntou: essa não é a sua prioridade, né? E ai começamos a conversar sobre plásticas, eu comecei a explicar o motivo de não querer fazer e ela perguntando quanto eu coloquei de silicone nos seios.
Tudo bem, eu sou peituda, mas perguntar assim do nada se eu coloquei silicone é demais, né? Fiquei meio ofendida, mas respondi que não coloquei silicone. A menina que estava conversando comigo tinha 19 anos e disse que tinha colocado silicone há algumas semanas atrás. Por sorte (ou por azar), fui chamada para ser atendida, o médico tinha uma cara super esticada e fiquei me perguntando o motivo.
O médico perguntou por que eu estava lá e contei todo meu mimimi de colesterol alto e tudo mais. Ele me perguntou de forma direta: entao, você quer fazer uma lipo?
Eu não sabia o que falar, mas eu finalmente comecei a ligar todas as coisas: eu estava em uma clínica de cirurgia plástica?
- Olha só, eu não quero fazer cirurgia nenhuma, eu quero uma dieta pra eu perder uns quilos e fazer as pazes com o colesterol e meu corpo.
- Mas, eu preciso sustentar meus três filhos, preciso colocar um bisturi bem afiadinho em você. (risadas do médico esticado)
- Então, eu acho que houve um grande engano, a fulana de tal me indicou seu nome como endócrino.
- Ah, a fulana de tal! A mãe dela tá pensando em fazer lipo.
- Hmm... entendo. Bem, então acho que tem algo errado, foi um grande mal entendido, mas obrigada pela sua atenção.
- Mas então Thayz, você é casada?
- Sim.
- O que você acha de fazer uma surpresa pro seu marido e fazer uma lipo? Tenho certeza que ele vai gamar.
- Eu quero que meu marido se lasque se ele quiser que eu faça lipo (cara de espanto do médico). Na verdade, ele acha muito curioso essa história de colocar silicone e morre de curiosidade de jogar uma pedra pra saber o que quebra primeiro (cara de terror do médico).
- Entendo...
- Então tá, obrigada e desculpa qualquer coisa.
Depois que eu sai de lá, eu tive um ataque de riso que não passou até agora. Finalmente entendi a conversa das meninas e a pergunta da garota sobre a quantidade de silicone que eu supostamente coloquei.
Será que foi uma pegadinha? Ou eu sou desligada ao extremo? Pode ser os dois, né?

sábado, 23 de abril de 2011

Feminista 24 horas por dia

Alou você que acha muito fácil ser feminista e botar a boca no trombone. Tenho uma novidade: não é fácil. Todo mundo exige de você um comportamento, uma opinião, uma crítica e eu faço o que com isso? Faço piadas, né?
Eu estava no trabalho, linda e ruiva, quando minha colega chegou e disse:

- Thayz, Thayz! Você não sabe o que acabei de ver!
- Meldels! O que aconteceu?
Nessa altura do campeonato estava esperando uma notícia muito louca, uma violência, algo absurdo. Já estava espantada e esperando o pior.
- Então Tha, nós vimos uma coisa que você iria achar absurdo demais! Fomos no restaurante e lá dizia que o valor pra mulher é R$10,90 e pra homem é R$11,90. Comentamos que se você estivesse lá faria um escândalo, afinal isso não é sexismo?
- Aham. (Cara de tédio)
- O que você faria?
- Eu ia comer e pagar mais barato, ué.
- E você ia contribuir para algo tão sexista?
- Quando se trata de comida, querida, eu sou sempre sexista. Onde é o restaurante mesmo? Vou comer lá amanhã.
- Nossa, nós achamos que você iria brigar com o gerente do restaurante.
- Isso depende de quanto custa a sobremesa pra mulher, é a única coisa que me motiva em uma briga.



Minha colega foi arrasada pra mesa, afinal, mais uma tentativa de mostrar que feminista é chata e louca deu errado. Eu não sei quando as pessoas vão parar de fazer isso, mas até lá eu não vou parar de ser malvada.
Outras situações e o que fazer:

Situação: Veja bem, feminismo não é machismo ao contrário? Logicamente você é sexista e machista também! Além disso, tudo o que você me disse não faz sentido. Dar poder pra mulher? Por qual motivo? Mulher gosta mesmo de ficar na cozinha.
O que fazer: A melhor saída é a famosa Cara de Monalisa. Afinal, depois que você desenhou toda a teoria feminista pra pessoa, criou até um funk pra criatura entender Beauvoir e mesmo assim nada? Cara de Monalisa nel@s!

Situação: Toda feminista é mal comida, mal amada, não se depila, não usa maquiagem.
O que fazer:  Você pode mostrar sua caixinha de maquiagem mesmo que seja modesta, vai ser chocante do mesmo jeito. Sempre choca. Mas, para uma pessoa que diz que você é mal comida e mal amada a única coisa que você pode dar em troca é o bom humor, é devastador. Todo mundo esperando que você faça a histérica louca e você faz uma piadinha tipo: Beauvoir que o diga, pegou Sartre, queria ser mal comida que nem ela. A sala fica em silêncio e o assunto muda em 3 segundos.

Feminista sofre, mas se diverte.

terça-feira, 8 de março de 2011

Meu primeiro vídeo

Tô bem feliz, fiz meu primeiro vídeo para o canal das Blogueiras Feministas. Não ficou a melhor coisa do mundo, mas eu tô muito feliz e nada vai me segurar, rá.

Canal das Blogueiras: www.youtube.com/blogueirasfeministas

Meu vídeo:

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Heteronormatividade Ativista

É sempre assim que começa o discurso:
- Eu juro! Não tenho preconceito nenhum, mas...



O que me mata é o "mas", é o que vem depois dai e quase sempre não é coisa digna de lógica. É algo tão absurdo que todo mundo achava (ou acha) que tinha terminado junto com o nazismo. Eu já falei várias vezes sobre a ditadura silenciosa e sinceramente é algo que me irrita bastante.
O que me deixa frustrada  é encontrar esse tipo de situação em uma turma que está concluindo o curso de Psicologia, um curso que deveria estudar o ser humano. E eu entendi o que está acontecendo, estão criando ativistas para a heteronormatividade. Explico.
Uma pessoa que defende leis e cotas para pessoas brancas e héteros, se coloca numa posição de "não tenho preconceito e meus amigos também não tem" e ainda afirma que o preconceito está em como a pessoa se vê, só falta o discurso da raça pura, né? Gente, alguém dá uma bandeira pra ela.
Isso me assusta, um discurso repetido todos os dias e tantas vezes que o absurdo virou uma lógica visceral. E sabe o que mais? O número de "ativistas" desse modelo aumenta cada dia mais, tudo contribui: mídia, religião, capitalismo, são tantas coisas que nem cabem aqui. É tudo isso contra esse humilde blog.
E para variar, mais um post vai se finalizado com a mais pura e filosófica reticências.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Insanidades de verão

 O verão chegou! Se bem que para quem mora em Curitiba, o verão nunca é muito certo. Enfim, nada melhor para comemorar o sol radiante do que uma boa cerveja. O calor nos deixa insano, isso é bom. Eu gosto de pessoas insanas, elas costumam ser mais verdadeiras e isso nos faz ter idéias inovadoras, como essa:

Após um dia escaldante de sol e trabalho endiabrante, enfim chega a santa sexta-feira.



Thayz: Amor, você quer uma cerveja?
Alisson: Não, agora não. Vou pegar depois.
Thayz: Hmmm... Tudo bem, eu tomo. (barulho de cerveja abrindo).
Alisson: Você não ia tomar banho?
Thayz: Eu vou tomar banho (muito decidida)
Alisson: E a cerveja?
Thayz: Ela vai tomar banho junto comigo.

E lá estava eu, depilando minhas pernas, com creme hidratante no cabelo, ouvindo Beatles e tomando uma bohemia. Meu momento felicidade suprema: eu encontrei a luz.
De repente, gritos do lado de fora do banheiro surgem:

Alisson: Isso é meio esquisito, né? Eu só queria entender.
Thayz: Quem disse que é esquisito? Eu apenas vivo, não julgo os meus mimos, eu só me rendo a eles.

Tempos depois...

Thayz: Amor, cheguei!
Alisson: Viver, né? 

E o maridão tava lá, aparando a barba, peladão e tomando cerveja.

Invente você também a sua insanidade de verão.