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sexta-feira, 2 de agosto de 2013

De todas as minhas faces, a minha religião é a única que não me deixa como minoria, por ser ela quem oprime

Comentário deixado por Lucila no texto ‘Ui, quebraram a santa’.
Olá, Estava acompanhado a polêmica da Marcha das Vadias e cheguei até aqui. E para dizer que concordo. Sou católica, e cada vez mais, depois que uma condição de saúde na família me carrega para fé e, bem, não tenho tempo de procurar a menos contraditória e me peguei àquela que conheço desde a infância, mesmo. Mas sou feminista, também. Não dessas que conheci na internet, que querem ver suas escolhas individuais serem aprovadas e não julgadas, embora as entenda. E estas têm de se habituar ao conflito e a reflexão. Não me choquei com a performance. Pode ter sido contravenção? Pode, mas todo ato manifesto corre esse risco. Pode ter sido de mau gosto? Pode, mas gosto é questão subjetiva. Pode ter sido opressor? Não. Não oprimiu a instituição e não oprimiu o fiel. Pode ter chocado alguns, os mais idosos, espero, que nunca viram clips da Madonna, O Exorcista, essas coisas que usaram os símbolos católicos para ganhar dinheiro. Muito, aliás. De todas as minhas faces, a minha religião é a única que não me deixa como minoria, por ser ela quem oprime. E, por isso, é vidraça, está exposta à crítica, tenha esta a forma ética, estética ou política que tiver.Quem dera fosse sempre uma comédia de Monthy Python, uma música do Titãs, um filme de Zeffirelli. Em não sendo, qualquer coisa é melhor que a apatia irrestrita. Que se faça o debate!
“De todas as minhas faces, a minha religião é a única que não me deixa como minoria, por ser ela quem oprime”.
E é tão simples e por isso tão genial. E capaz de resumir toda forma de opressão e toda autocrítica que se pode e se deve fazer a respeito dela.
“De todas as minhas faces, ser branca é a única que não me deixa como minoria, por ser ela quem oprime”.
De todas as minhas faces, ser heterossexual é a única que não me deixa como minoria, por ser ela quem oprime”.
De todas as minhas faces, ser cissexual é a única que não me deixa como minoria, por ser ela quem oprime”.

sábado, 23 de abril de 2011

Feminista 24 horas por dia

Alou você que acha muito fácil ser feminista e botar a boca no trombone. Tenho uma novidade: não é fácil. Todo mundo exige de você um comportamento, uma opinião, uma crítica e eu faço o que com isso? Faço piadas, né?
Eu estava no trabalho, linda e ruiva, quando minha colega chegou e disse:

- Thayz, Thayz! Você não sabe o que acabei de ver!
- Meldels! O que aconteceu?
Nessa altura do campeonato estava esperando uma notícia muito louca, uma violência, algo absurdo. Já estava espantada e esperando o pior.
- Então Tha, nós vimos uma coisa que você iria achar absurdo demais! Fomos no restaurante e lá dizia que o valor pra mulher é R$10,90 e pra homem é R$11,90. Comentamos que se você estivesse lá faria um escândalo, afinal isso não é sexismo?
- Aham. (Cara de tédio)
- O que você faria?
- Eu ia comer e pagar mais barato, ué.
- E você ia contribuir para algo tão sexista?
- Quando se trata de comida, querida, eu sou sempre sexista. Onde é o restaurante mesmo? Vou comer lá amanhã.
- Nossa, nós achamos que você iria brigar com o gerente do restaurante.
- Isso depende de quanto custa a sobremesa pra mulher, é a única coisa que me motiva em uma briga.



Minha colega foi arrasada pra mesa, afinal, mais uma tentativa de mostrar que feminista é chata e louca deu errado. Eu não sei quando as pessoas vão parar de fazer isso, mas até lá eu não vou parar de ser malvada.
Outras situações e o que fazer:

Situação: Veja bem, feminismo não é machismo ao contrário? Logicamente você é sexista e machista também! Além disso, tudo o que você me disse não faz sentido. Dar poder pra mulher? Por qual motivo? Mulher gosta mesmo de ficar na cozinha.
O que fazer: A melhor saída é a famosa Cara de Monalisa. Afinal, depois que você desenhou toda a teoria feminista pra pessoa, criou até um funk pra criatura entender Beauvoir e mesmo assim nada? Cara de Monalisa nel@s!

Situação: Toda feminista é mal comida, mal amada, não se depila, não usa maquiagem.
O que fazer:  Você pode mostrar sua caixinha de maquiagem mesmo que seja modesta, vai ser chocante do mesmo jeito. Sempre choca. Mas, para uma pessoa que diz que você é mal comida e mal amada a única coisa que você pode dar em troca é o bom humor, é devastador. Todo mundo esperando que você faça a histérica louca e você faz uma piadinha tipo: Beauvoir que o diga, pegou Sartre, queria ser mal comida que nem ela. A sala fica em silêncio e o assunto muda em 3 segundos.

Feminista sofre, mas se diverte.

terça-feira, 8 de março de 2011

Meu primeiro vídeo

Tô bem feliz, fiz meu primeiro vídeo para o canal das Blogueiras Feministas. Não ficou a melhor coisa do mundo, mas eu tô muito feliz e nada vai me segurar, rá.

Canal das Blogueiras: www.youtube.com/blogueirasfeministas

Meu vídeo:

sábado, 11 de dezembro de 2010

Progressista, mas machista!

Dezembro deixa todo mundo sem tempo, eu não sei o que acontece. E eu entrei nessa de estar sem tempo. Mas, estou parando tudo que deveria fazer para falar minha opinião sobre o post do Nassif e seu feminazi.

Ok, o cara se diz de esquerda e progressista. Para alguns, isso não quer dizer nada, para mim significa que essa pessoa tem uma sensibilidade, consegue enxergar além das piadas de mau gosto, é uma pessoa que luta a favor das minorias. E ser mulher hoje é ter que reconstruir um mundo construído por machistas. Gente, não é fácil! Fazer isso é ser chamada de louca e esquisita por aí, é ouvir coisas absurdas de moralistas medievais que ainda acham que mulher deve servir apenas ao seu deus-homem-pênis, é ter que ler noticas sobre mulheres que foram violentadas só por serem mulheres, é ser chamada de barraqueira, radical, feminazi... É cansativo demais sair todo dia de casa, lutar pelos seus direitos e ainda ouvir tudo isso por aí (inclusive de mulheres que nem teriam tantos direitos que tem hoje se não fossem as "loucas" feministas), mas pior ainda é ver um cara que se diz progressista autorizar um machista a fazer comentários completamente violentos contra a mulher. Sim, pra mim foi um insulto ler que o Governo deve se preocupar com o abuso sexual masculino nas penitenciárias, pois é errado dar mais atenção aos casos de abuso de mulher. E mais, em vez de Nassif pedir desculpas, publicar um post de repúdio ao feminazi ou sei lá, qualquer coisa que me convença que ele ainda é um cara progressista, ele simplesmente nos chama de barraqueiras, que não sabemos lutar por uma causa e ainda se diz feminista por ter 5 mil parentes mulheres. E eu com isso? Cadê a sua atitude feminista?
Como mulher, sinto-me arrasada em ver que as pessoas podem brincar com meus direitos dessa forma. Como feminista, sinto-me triste, mas encontro forças para continuar lutando por um mundo menos machista, onde as mulheres possam ser vistas como mulheres e não apenas como brinquedinhos da mídia (progressista ou não).

Mais posts sobre o assunto: http://cynthiasemiramis.org/, http://escrevalolaescreva.blogspot.com/2010/12/como-falar-bobagens-e-ser-publicado-num.html, http://liadelua.blogspot.com/2010/12/menina-nao-reclama-que-e-feio.html, http://novamentebizarro.wordpress.com/2010/12/11/feminazi/.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Fim da Violência contra a Mulher

Quando cheguei em Curitiba, lembro que todos queriam que meu namorado ficasse aqui e eu morasse no interior com os pais dele, pois dessa forma ele juntaria dinheiro o suficiente pra me sustentar. Eu achei estranho, falei que não era necessário, pois eu me sustentaria, ora bolas! Me perguntaram como já que eu tinha uma faculdade pra pagar (e acharam desnecessário eu fazer a faculdade, seria melhor trancá-la), até que eu falei: gente, eu vou trabalhar e ganho muito bem no que eu faço. O queixo de todos cairam e formaram uma cratera no chão, ninguém tinha imaginado que eu iria trabalhar e fazer faculdade, era demais para uma mulher. E foi assim que eles descobriram que eu não era uma mulher que iria ficar dentro de casa cozinhando, lavando e esperando ser sustentada pelo namorado.
Quis relatar esse caso, pois pra mim isso é um tipo de violência sim! Esse é um dos tipos de violência que as mulheres sofrem todos os dias e esse tipo de conceito é que forma ações violentas, aquelas que todos nos preocupamos: agressão física e a morte.
Eu quero falar dessa violência silenciosa que é formada todos os dias na sociedade. Sim, todos os dias formamos mais homens e mulheres machistas, que acham que lugar de mulher é no fogão mesmo, que diabos a mulher vai se intrometer fazendo outro tipo de atividade? É o gene de dona de casa, minha gente! Todas as pessoas machistas acham que nascemos com esse gene: eu sou mulher e sou obrigada a saber e fazer serviços de casa. Ah, tem que ser magérrima e linda também, se não você não serve pra nada. É o conceito de mulher frágil que está aqui na terra apenas para procriar. Ok, podemos jogar fora as mulheres que não podem ter filhos?
Não estou criticando mulheres que querem ou gostam de trabalhos domésticos, o que incomoda é a obrigação de termos que fazer só por causa da vagina. E é nesse tipo de pensamento que acontecem as violências, as agressões e a mulher, como uma boa servidora do seu macho, é obrigada a aguentar. NÃO! BASTA!
O lugar da mulher é onde ela quiser, onde ela achar que deve ser, onde ela for feliz! Ninguém tem que acusá-la ou cobrá-la por algo que ela deve ser. Uma vez uma colega de trabalho falou pra mim que eu deveria ter nascido homem, já que eu sou tão "diferente" e tivemos o seguinte diálogo:
- Não acho que deveria ter nascido homem, eu adoro ser mulher!
- Mas, você não pensa como mulher...
- Eu penso como mulher sim, é você que pensa com preconceito em relação a mulheres.
- Mas, eu sou mulher! Como posso ter preconceito comigo mesma?
- Fazendo esse tipo de comentário, que mulher deve seguir um tipo de pensamento único só por causa do sexo, mas, se eu fosse homem eu poderia pensar o que quisesse. Isso é preconceito sim.

Minha colega de trabalho ficou constragida, ela realmente não percebeu o comentário sexista que havia feito, na verdade, ninguém percebe. Todos os dias construimos padrões e não entendemos que com isso acabamos criando uma cultura violenta e machista, a mesma cultura que gera episódios como esse: http://www.in-vestindo.com/2010/11/aonde-vamos-parar.html .
Meu nome é Thayz, sou feminista, luto todos os dias contra a violência da mulher. E você? Vai deixar que essa violência continue com você? Sua filha? Irmã? Prima? Cunhada? Tia? Com todas as mulheres que você ama?